sábado, 17 de outubro de 2009
Orquideas
Por Wisley Severo (20 de Abril 2009)
Hoje, com o passar das horas
Dos dias, meses, anos enfim,
Vejo, mesmo sem ter visto,
Que controverso cultivador
Tornei-me, mesmo sem querer.
Na juventude, a primeira orquídea,
Que nunca fora minha, mas eu cuidara,
Protegia, e envolvia em minhas mãos,
Era rosa, e que o tempo deixara
Em outros jardins.
Tempos depois, em longa jornada,
Uma orquídea proibida, maltratada
Mas de uma beleza encoberta pela
Poeira, e lama do esquecimento,
Cuidei com todas as forças,
E a esquecida, após minha partida,
Tornou-se a mais linda do lugar.
Essa era áurea, como o sol.
Outra, por mais que eu quisesse,
Tentei regar, tentei cuidar,
Mas sempre murchara com meus cuidados,
Não deixara nunca encostá-la,
O meu olhar, e presença a feria,
Mas meu egoísmo e foco errado,
Fez com que deixasse de lado outras
Que morriam pedindo cuidados meus,
Mas minha sede era por aquela orquídea
Pequenina, linda da cor do céu.
Passara algum tempo, essa sim,
Uma orquídea vinda dos grotões,
Da longínqua Amazônia, estava machucada,
Seu cultivador, não cultivara,
Suas pétalas faltavam pedaços,
Suas raízes secas, suas folhas sem vida,
Mesmo não sendo de meu jardim, cuidei,
Arrisquei a vida, o meu sangue,
Para cuidar daquela que não tinha
Cuidados, mas era envolta em ciúme
Daquele que não preservara.
Foi minha orquídea rosa, serena
Que mesmo delicada, agüentara varias
Intempéries, e maus tratos.
Fiquei muito pesaroso em perder essa
Mesmo que nunca fora minha de verdade,
Mas partiu mais forte, e robusta.
Anos de lembranças, saudades,
Vejo na varanda de um grande amigo,
Uma esguia, e encantadora orquídea verde,
Mas eu que já estava às portas de longa
Jornada inesperada, pouco pude cultivar,
Mas o pouco que regei, modestamente,
Deixei mais linda que quando a vi.
Já em longe, num torrão maravilhoso,
E encantador, depois de regar algumas
A beira mar, mas sem pretensão de cuidar,
Enfim me deparo com uma linda orquídea
Da cor de carmim, encarnada e cheia de luz,
Mas tinha um cultivador, porem eu a queria,
E não me importaria em furtar-la
Mas pouco pude regar, tratar de suas raízes,
“Das Dores” dessa lembrança, ficaram o
Encanto e a luz que aquele rubro causara.
Já em terreno pantanoso, nenhuma orquídea
Causara-me comoção, encanto nenhum,
Por muito tempo, ate pensei que não estava
Mais interessado em cultivá-las,
Mesmo depois de vários giros da terra,
Com um enganoso cultivar de uma orquídea nativa,
Mas era um mero engano, um cultivar sem prazer,
Ate, que do nada, do inimaginável,
De um mundo enredado cibernético,
Onde florescem aos montes todos os tipos de flores,
Deparo-me com uma controversa,
De rara beleza, e que era de um lugar que já vivi,
Mas como passara despercebida?
Mas o medo de uma jornada, me fez afastar,
Todavia, seu encanto, seu chamado (sem chamar)
Pulsavam, mexiam com velhos brios,
E enfrentei velhos, novos, e atuais cultivadores,
Até ter comigo aquela bela orquídea,
Que mesmo em seu habitat, eu cuidara de longe,
Voei no pássaro de ferro, pra ver de perto
A minha enfim única orquídea que habitaria meu jardim,
Mas naquele momento, tinha que deixar em seu habitat,
E na volta, fiquei preso aos montes rochosos,
Como Prometeu, pássaros bicando meu fígado,
E minha orquídea foi aos poucos sendo ferida
Por lagartas, formigas, e cultivadores ferozes,
E preso ao monte, meus gritos de ira,
Fez que a minha orquídea murchasse,
E a luz se apagara. Perdi de vez a mais bela
E rara orquídea, a minha orquídea Negra.
“Que brotou da máquina selvagem,
E o anjo do impossível, plantou como nova paisagem...”
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