terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Qual caminho escolher?




Olá gente bonita que lê esse blog. Enfim a vida chegou naqueles momentos importantes, cruciais, em que qualquer decisão é verdadeiramente muito decisiva  , algo realmente definivo pro restante da vida.

Momento de escolhas, de traçar novos caminhos, ou de manter se firme na escolha de sempre. E pra mim, um gêminiano praticante, muito indeciso, confuso, esse momento esta se tornando um martírio.

Estou olhando a frente, ali a meus olhos, dois caminhos, cada um leva a algo que me é muito importante, um deles percorrido de forma errónea, que hoje por mais que seja dito impossível de se percorrer, mas a experiência, e os calos que foram causados, sinto que seria percorrido de forma mais consciente, por mais que venha a ser muito mais difícil de ser percorrido.

Outro caminho, um caminho que aparenta mais segurança, que poderá ajudar a estrutura da vida, e sim, também algo que sempre fora almejado.

Um caminho o sonho pessoal, do "querer ser quando crescer", outro caminho o sonho da alma, do "aquilo que me faz bater o coração". Um aparentemente tranquilo, mas que dificilmente me levara ao outro, e o outro, que por muito tempo me parecia mais forte na vida, é cheio de obstáculos, nada seguro, risco de ferimento é enorme, mas eu que sou filho do Deus do impossível, me faz instigar mais e mais.

Não sei qual o caminho a ser escolhido, não sei a possibilidade de encarar por agora um projeto impossível logisticamente falando, mas sei, que arquivado nunca será, jamais esquecido, mas, diz que na vida tudo muda, pode ser que com o tempo isso venha a mudar, mas de pronto, acho difícil.

Os caminhos estão em minha frente, onde seguir, não sei, TEMPO SÁBIO TEMPO....



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Jethro Tull: Heavy Horses Tradução






Pés de pena couraçados que socam o pó

O dia de Outubro, em direção a tarde

O suor gravou em relevo veias que estão orgulhosos ao arado

Sal em um tempero profundo

Último da linha de labuta de um dia honesto

Volta do gramado profundo embaixo de

Flint em marcha, perseguindo o osso

Moscas na pilhagem de narinas.



O Suffolk, o Clydesdale, os Percheron competem

com o Condado na sua flutuação de penas

Transportação de madeira suave no crepúsculo

a cama em um revestimento de palha quente.



Cavalos Pesados, movimentam a terra embaixo de mim

Atrás do arado que desliza---deslizando e deslize de graça

Agora você está abaixo a poucos

E não há nenhum trabalho para fazer

No trator do seu caminho.



Deixe-me encontrá-lo uma poldra da sua semente de garanhão orgulhosa

guardar a velha linha que vai.

E que suportaremos lado a lado atrás da madeira

atrás do crescimento das árvores jovens

Ocultá-lo contra os olhos que zombam da sua circunferência,

e as suas dezoito mãos no ombro

E um dia quando os barões de óleo gotejaram todos os secos

e as noites são vistas para desenhar mais frio

Eles pedirão a sua força, o seu doce poder

a sua graça nobre e o seu carregamento

E você vai se esforçar mais uma vez ao som das gaivotas

seguindo-se ao arado profundo, compartilhando.



Durando como tanques no alto da colina

Em cima do revestimento de vento frio

Em couraça de batalha rija, encadeada ao mundo

Contra a corrida de sol baixo

Traga-me uma roda de madeira do carvalho

Uma rédea de couro polido

Um Cavalo Pesado e um céu que cai

Preparação de cerveja do tempo pesado.



Traga uma canção durante a tarde

Limpe o latão para acender a alvorada

através desse brilho de acres

como orvalho em um gramado de carpete

Nesse sono de mentira de gente de cidades escuro

como os cavalos pesados que trovejam por

acordar a cidade que morre

com o grito do cavaleiro vivo

Ao mesmo tempo as velhas mãos apressam---

traga a picareta e a paveia e prepare com caril o pente---

emocione-se ao som de todos

os cavalos pesados a voltar para casa.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

TAQUI PRA TI


AMAZONINO E A BARONESA DE IGARAPÉ
José Ribamar Bessa Freire
29/11/2009 - Diário do Amazonas

O Imperador da Floresta, Sua Majestade Leão XIII, concedeu à hiena o título nobiliárquico de ‘Baronesa de Igarapé’, dando-lhe de presente brasão e castelo. Dias depois, a nova baronesa se apresentou diante do Imperador:

- Majestade – disse ela – é preciso que os vivos aprendam a respeitar os mortos. Para isso, quero submeter-vos um projeto de lei que eu mesma redigi. Se V.M. concordar com minha humilde forma de pensar, meu projeto terá força de lei em toda a floresta.

Leão XIII submeteu o projeto ao Senado Florestal, que o aprovou por unanimidade. Promulgou, então, a seguinte lei:

“Considerando que o olho collorido do imperador suscita terror e medo em todos os animais e que sua vontade é lei; considerando parecer favorável dos senadores Gato Escaldado - marquês de Pericumã, e Jaboti de Casca-Grossa – conde de Abacatal; considerando que o Senado aprovou o projeto da Baronesa de Igarapé; o Imperador Leão XIII decreta:

Art. 1 – Fica proibido, sob pena de morte, exumar um cadáver enterrado para consumir sua carne; Art. 2 – O presente decreto entra em vigor a partir de hoje; Art. 3 – A Baronesa de Igarapé fica encarregada de fiscalizar o cumprimento da lei.

Dias depois de sua publicação no DOF – Diário Oficial da Floresta, a matriarca das hienas enfartou e bateu a caçoleta. Teve velório espetacular com funeral pomposo e pirotécnico, desfile de carro de bombeiros e pétalas de rosas atiradas de helicópteros.

Depois do enterro, a hiena filha, apelidada de Baronesa de Bunda-Baixa, esperou que todo mundo dormisse e, no meio da escuridão profunda e tenebrosa, se dirigiu ao cemitério. Lá, desenterrou o cadáver da mãe, devorou a carne da velha e roeu-lhe os ossos. Um senhor banquete! Naquele momento, trovões e relâmpagos riscaram os céus. A Baronesa, se borrando de medo, arriou ainda mais a bunda e fez cocô. A coruja, que enxerga de noite, viu tudo, do galho de uma árvore.

Os acusados

No dia seguinte, a Baronesa se apresentou diante do trono de Leão XIII, registrando uma queixa: - Majestade, minha pobre mãezinha foi desenterrada e devorada esta noite. Solicito a aplicação da lei: pena de morte para os violadores!

O Imperador da Floresta nomeou juiz do caso a Meritíssima Anta, que havia cursado o doutorado na Floresta Negra, na Alemanha, com uma tese intitulada Die Zulässig keits voraussetzungen der abstrakten Normenkontrolle. A Anta mandou prender e algemar cinco suspeitos, convocando-os para audiências.

Vestida com a toga e com aquele chapéu de bolo-de-noiva na cabeça, a Anta abriu a sessão com um discurso: “Em matéria de justiça sou plenamente in-de-pen-den-te. Não se dá independência ao juiz para ele ficar consultando qualquer sujeito da esquina. O juiz tem o dever de arrostar a opinião pública da floresta”.

A audiência começou. Os cinco suspeitos entraram algemados: o Boi Garantido, o Tamanduá Abraçador, a Onça Pintada, o Mutum-de-Penacho e o Urubu-Cabeça-de-Piroca. Todos eles juraram dizer a verdade, nada mais que a verdade, somente a verdade.

O primeiro interpelado foi o Boi, que se garantiu, provando que o vampiro criminoso não podia ser ninguém da família dos bovídeos: “Antes que a vaca vá pro brejo, é preciso lembrar que nós, ruminantes, só comemos erva, pasto, capim. A ausência de dentes caninos e de incisivos superiores prova que não comemos carne, e muito menos, carniça. A disposição de nossas patas comprova que a gente não tem condição de desenterrar um corpo. Nem que a vaca tussa”.

- “Mas o Tamanduá Abraçador tem unhas poderosas e com elas pode desenterrar um cadáver” – disse o juiz, liberando o boi e chamando o segundo suspeito.

O Tamanduá se defendeu, alegando que era um animal de grande porte, mas de índole inofensiva e que se alimentava exclusivamente de formiga e cupim. Suas unhas serviam para arrancá-las dos formigueiros. Ponderou ainda que o tipo de estômago que tinha constituía prova de que não tem a menor condição de tragar e engolir carne. “Sugiro ao meretíssimo juiz que procure os carnívoros” – disse.

O juiz chamou a Onça Pintada, que exibiu um atestado médico, comprovando que felinos se alimentam de carne, mas de carne fresca, de bife mal passado, sangrando. “Além do mais – disse a onça – a carne de hiena é reimosa e dá curuba. Não comemos carne podre. Procure os abutres”.

“Vocês comem carne?” – perguntou o juiz ao quarto suspeito, o Mutum-de-penacho. “Sim meretíssimo, mas carne de borboleta, de caramujo, de gafanhoto, de lagartixa, no máximo de perereca, sempre de animais pequenos. De cadáver de hiena não. Não somos abutres que nem o urubu”.

A sentença

O último acusado era justamente o Urubu Malandro. – “Confesse que você e sua família se alimentam de carniça e que do alto do céu podem enxergar uma carcaça” – intimou o juiz. Diante da confirmação, acrescentou: “Você fede, é pestilento, nauseabundo, horroroso. Está acusado de vandalismo e vampirismo, sujeito à pena de morte”.

- Se precisa de um culpado, me condene, mas vai ter que explicar como é que com meu bico e minhas patas eu consegui desenterrar o cadáver – argumentou o Urubu. Nesse momento, entrou o policial Macaco Velho com a Baronesa de bunda-baixa algemada: “A coruja é testemunha. Aqui está a culpada” – disse o Macaco policial. A Meretíssima Anta, apoplética, mandou desalgemá-la, devido à sua condição de baronesa.

A Baronesa negou tudo e, através dos seus advogados famosos – Raposa Felpuda e Jacaré-na-lama, regiamente pagos – incriminou o urubu; este requereu que fosse tomado o depoimento da coruja e que o Laboratório VVB da Vovó Veadinha Bambi fizesse exame das fezes encontradas ao lado do túmulo para verificar as “impressões digitais”. Os advogados da Baronesa recorreram, solicitando que o depoimento da coruja fosse ultraconfidencial e corresse sob segredo de justiça. A Meretíssima Anta deferiu e, depois, mandou arquivar o processo porque as provas foram conseguidas “de forma ilegal”.

P.S. Escrevo do Acre, onde participo do II Colóquio Internacional sobre as Amazônias e as Áfricas. Inspirado pelo evento, adaptei esse conto do escritor africano Amadou Hampâté Bâ (1900-1991) publicado na França em 1999 com o título “A Justiça dos Poderosos”. Existem hienas no Brasil e na Amazônia como prova a decisão do TRE/AM que absolveu o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB, vixe, vixe) das denúncias de abuso de poder econômico e de compra de votos.

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